Café Lanchonete da esquina
Eu estava sentada,esperando meu café,como sempre faço aos sábados de manhã,no Café Lanchonete da esquina.Estava distraída,quando alguém de repente,parou em frente a minha mesa.Era um rapaz alto de cabelos castanho arruivado,franzino,olhos negros que penetram a fundo seu consciente se encarados por muito tempo.Isso é claro,é apenas uma imprenssão! Uma estranha,mas apenas uma imprenssão,insisto em dizer,talvez por medo de saber que é verdade.Seu sorriso levemente amarelado era com certeza o que mais me chamou a atenção.Sorriso inocente,mas com um tom profundo e implícito,de malícia.Isso obviamente,é algo de minha concepção,um fato que eu e,somente eu,conclui.Tenho essa péssima mania de analisar as pessoas sem antes mesmo conhecê-las.É algo que uso como precaução,talvez um modo de me defender das mentes doentes que vagam pela Terra.
Ele então se aproximou e disse: "Olá,posso me sentar?" Lembro exatamente suas palavras utilizadas naquele breve início de assunto.Tão"fático"! Eu lembro que fiquei pelo menos uns sete segundos olhando pra "cara" dele,sem dizer se quer uma palavra,ou mesmo emitir um ruído.Ele então vendo que eu não reagia a seu pedido,voltou a dizer: "É que as outras mesas já estão todas ocupadas..."
-Ah sim! É claro,pode se sentar! Perdoe minha indelicadeza em não te responder,é que geralmente quando alguém pede pra se sentar junto a mim,na minha mesa ela sempre dá em cima de mim.Menos de treze palavras e já pede meu telefone.Em minha concepção isso é um absurdo! Bom,o que eu queria dizer é que...hum,sim,pode se sentar e desculpe a demora pra responder.Ah! Eu sei que eu falo de mais e troco de assunto o tempo todo,mas eu não sou louca ta!? disse eu meio nervosa.É assim que fico quando estou nervosa! Falo em disparada.É...eu realmente exagerei ao dizer tudo aquilo.Mas ao invés dele sair correndo desesperado,achando que eu era uma louca,psicótica,ele apenas sorriu e disse: "Dia difícil? Também falo de mais e troco de assunto sem perceber,quando estou nervoso.Mas eu ainda tenho um porém...eu começo a falar em árabe." Lembro que rimos a manhã toda com aquilo.Ficamos lá,no Café Lanchonete da esquina,conversando por horas.O café que eu costumava tomar só e em silêncio,teve uma surpresa interrupção da monotonia,por um jovem rapaz ruivo,franzino,"esquisito" como a mim e que possuía um largo sorriso levemente amarelado,que me conquistou com seu coração e mente.Pensamos que o amanhã será como o hoje,que logo se torna o ontem e que nos enfatiza,a viver o hoje com o pensamento de que nada de diferente e alegre pode nos acontecer.Achamos que praticar hábitos diários,como ir ao Café Lanchonete da esquina,sempre será um solitário e silencioso café.Esquecemos da esperança guardada no inconsciente,e seguimos nossa vida sem nos arriscar,sem deixá-la sair,com medo de que ela nos leve para uma emboscada.Fazendo nos ficar sem reação,quando um jovem rapaz de olhos negros que penetram sua alma,vem a nós pedir apenas um lugar a mesa.Talvez se eu não lhe concedesse este simples lugar para se sentar,eu não teria como recompensa,um lugar em seu coração.
Comentários
Postar um comentário