Um pouco do que passa dentro da minha cabeça
As vezes eu me pego pensando na Alessandra de 10 anos atrás e me pergunto onde ela foi parar. Claramente ela passou por muitas coisas na vida e sinceramente eu acabo me esquecendo o quão difícil foram alguns desses momentos, como se eles nunca tiveram existido e fossem apenas histórias de outra pessoa. E a verdade é que facilmente nos esquecemos de quem somos e de tudo que percorremos pra chegar onde chegamos, mas eu não quero mais me esquecer de quem eu sou e de quem eu me tornei graças a minha versão mais jovem. Ela foi tão corajosa e forte que sinceramente não sei de onde ela tirou tanta força e perseverança. Acredito que não tivemos escolha a não ser sacrificar parte da nossa infância e nos tornar adultas muito cedo. Infelizmente essa auto cobrança exagerada me persegue até hoje e tem tirado a minha paz. Confesso que não tem sido fácil e é bastante exaustivo pensar em absolutamente cada passo que irei dar ou cada palavra que irei falar, como se tudo precisasse ser calculado e perfeito, assim não terei que lidar com o desapontamento dos outros ou correr o risco de perder alguém. E toda essa montanha de força que eu sou na verdade é apenas a minha forma de me proteger e não acabar machucando a minha verdadeira pessoa interior, que é meiga, sonhadora e sensível. E a verdade é que tudo que eu mais quero é ser amada e cuidada, é poder ser vulnerável sem medo de ser ferida, é poder desabar sabendo que serei acolhida e abraçada sem julgamentos. Mas como eu posso confiar e me entregar para uma figura que só me machucou e machucou toda a minha vida, que me faz temer a minha própria segurança e existência?
Eu luto com todas as minhas forças, faço tudo que está no meu alcance para superar os meus demônios e perdoar o meu passado e quem me feriu, mas quanto mais eu tento mais eu sinto que estou distante de conseguir conquistar o meu objetivo. E eu me sinto tão sozinha e perdida. Eu acabo não procurando ninguém pra falar como eu relamente me sinto porque no fundo eu morro de medo da ideia de me sentir incompreendida e julgada. Mas a verdade é que eu não sei por quanto tempo mais eu irei suportar fingir estar bem. Eu sinto que tenho cada vez mais me afundado e a luz do túnel tem ficado cada vez mais apagada e distante e eu tenho medo de ser tarde demais para alcança-la.
Espero voltar logo aqui e dizer que eu vejo um mundo colorido e cheio de borboletas, mas até lá eu sigo lidando com os desafios de viver uma vida adulta nos tempos atuais.
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