Carta aberta à mim mesma

   A vida as vezes leva a gente para caminhos inimagináveis, como o que eu estou agora, completamente perdida e sem uma direção. Eu concordo que está tudo bem não ter sempre uma direção e ir adiante do desconhecido e novo, mas também afirmo que é uma sensação enormemente assustadora e as vezes perturbadora. Eu já estive nessa posição antes, mas nunca me senti tão assustada por não saber o que fazer, parece que agora é pra sempre, mas eu sei que não é, pelo menos não deveria ser. Mas o que fazer quanto a isso? Como mudar essa sensação? Como tomar decisões diferentes e quebrar os ciclos infinitos que nunca parecem ter fim? Como fazer diferente? São tantos questionamentos e incertezas que me deixam maluca! As vezes eu só consigo juntar forças pra implorar um sinal ou uma intervenção divina, algo que segure a minha mão e me puxe pra frente, ou pra cima...

  E como eu precisava com urgência falar sobre isso, isso que está tomando conta de mim, do meu tempo, da minha saúde mental e emocional. Isso que tanto me perturba. Ser jovem deveria ser menos preocupante, mas o tempo toma conta não só do relógio mais, mas também de mim. Ele está indo embora constantemente e não está esperando por mim e ele não irá esperar. Ele não liga para o quanto eu imploro para que espere. Eu já não me sinto tão forte, ousada e destemida como antes. Eu sei que está aqui dentro de mim, em algum lugar, mas eu estou míope pra isso e não consigo encontrar. Talvez a minha terapeuta consiga me ajudar a achar, talvez seja só questão de você, Tempo, permitir que eu encontre. Enquanto isso eu sigo procurando e tentando correr contra você, do que não adianta muito porque você é extremamente rápido e nunca para. Talvez e só talvez, tudo finalmente se ajeite e se acalme, mesmo que por um tempo... ah, bendito e maldito você, Tempo.


Att, talvez assim você pense com carinho em mim, a garota perdida

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